Aqueduto

Aqui é por onde as palavras escorrem.
Escorregam entre um degrau e outro da escada rolante quebrada.
O sentido é de subida, portanto é uma escorregadela ascendente.
Outro dia um motorista que guiou um Fiat 147 ano 80, disse que na descida o carrinho é espetacular.
Parece mesmo que descer é mais fácil.
Acho bem interessante as ruas planas.
Nem subida, nem descida.
Meu plano é ir armando as palavras com um equilíbrio distante e ir declamando em zig-zag.
Perceba que o meu plano ainda é pé no chão.
Pode ser cheio de buracos, as lombadas devem existir, mas bem leves em altura.
Gosto das escadas que o meu amigo Paulo coloca encostadas nas árvores.
Cada escada dele tem uma árvore particular.
Encontrei na escola uma placa indicando que é proibido subir nas árvores do setor da infância.
Ali é questão de segurança.
Fico imaginando a quantidade de crianças que ficam loucas para dar uma subidinha.
Daria pra ver o balanço, o trepa-trepa, a gangorra e o gira-gira, todos bem de cima.
Meu plano é gostar de ver as pessoas no mesmo plano, mesmo sabendo que cada uma tem o seu.
Existe um mistério nas montanhas.
Penso que não nelas em si, mas no que há depois delas.
Na planície, vendo a montanha é sempre necessário que eu fique imaginando as histórias que estão sendo contadas além dela.
O que está acontecendo atrás dela e eu daqui não vejo.
Um dos maiores Mistérios para mim é responder o que é Arte.
Num pequeno livro chamado : O que é Arte, o autor Jorge, na última página nos conta que ele só conseguiu definir o que é Arte a partir dos objetos produzidos, ou seja, ela em sim, é indescritível.
É um mistério contado através da literatura, do desenho, da pintura, da escultura, da gravura, da fotografia, do cinema, do video, da dança, da música e do teatro.
Histórias que manifestam a Arte, esse doce e amargo mistério.
Penso que foi daí que o Cartano escreveu numa de suas letras: Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que se é.
Ontem eu segurei uma caneta para tecido azul, pequei um pratão, risquei o círculo no centro do tecido de uma camiseta branca e a partir deste círculo eu o preenchi com grafismos a partir do contorno de um peixe.
Racionalmente, depois de vários anos de rabiscos, selecionei uns seis tipos de grafismos e vou preenchendo os espaços que vão se formando.
Esse é o meu passeio por esse plano.
O tecido plano e sua rugosidade.
Na ponta da caneta vai grudando um pelinho, que surge após bons roçares da ponta no tecido.
É desta forma, retirando o pelinho, que meu indicador e o meu dedão da mão esquerda foram ficando azuis.
Como era um presente, a minha satisfação veio através de um abraço e hoje, através de um agradecimento por mensagem.
Pessoas fazem isso através de uma afinidade, que como a Arte, é indescritivel.
Pessoas com características muito diferentes se conectam neste mistério Vital.
O porquê de tudo isso?
Porque sim, afinal é um sim que a letra do Djavan, sob o meu ponto de vista, enfatiza que ele que do outro o Um a Um e não o Zero a zero.
Eu nâo desejo ganhar de ninguém.
Eu gosto de acessibilidade às passarelas rolantes para que a partir do seu movimento eu ainda possa exercitar o coração correndo


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